"Escrever é usar as palavras que se guardaram: se tu falares de mais, já não escreves, porque não te resta nada para dizer." [M.S.T.]

10.8.09

Naquela última noite, encostei-me a ti e abracei-te. Não havia razão para não o fazer.
Aprendemos nessa noite a partilhar o silêncio. Acho que era isso que o destino nos tinha proposto. Atingimos o objectivo da nossa vida. Pelo menos o daquela que tivemos em conjunto. Partilhando o silêncio descobrimos o nosso destino.
Nessa noite o teu corpo pareceu-me um deserto. Apenas abracei-te. Protegi-te de mim. Abracei-te. Nessa última noite, o teu corpo era um deserto que já não pedia água. Não havia mais nada para te dar, para me dares. Partilhámos o silêncio. E essa foi a maior descoberta que fizemos em 21 anos.
Naquela última noite, adormeci abraçada a ti. Adormeci tranquilamente. Dormi. E esse foi o maior sinal que o objectivo estava cumprido, que na manhã seguinte diríamos adeus. Para sempre. Mesmo que, para sempre, as minhas mãos me gritassem que tinham saudades tuas.

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